Feiras

“PEDRA” UMA BATALHA PARA VENCER A CRISE

 

A 4ª edição da Pedra que se realizou entre 12 e 15 de Março na Exposalão na Batalha, representou pelo seu conjunto de actividades, uma demonstração das capacidades do sector da pedra natural na actual conjuntura.

Poder-se-á afirmar que os expositores da Pedra 2009 apresentaram no decorrer do certame três posições diferentes. Na primeira era visível e sentida a actual conjuntura, em que a crise domina todo o contexto da actividade, a segunda que recolhe o sentido da primeira mas onde é nítida a vontade de lutar e batalhar para que estes momentos difíceis sejam ultrapassados e a terceira aqui numa minoria que aposta no futuro mesmo com a crise ao pé da porta.


A Pedra ocupou nesta edição três pavilhões mantendo a vertente da exposição de blocos em conjunto com o produto acabado, constituindo um leque mais amplo de oferta por parte das empresas presentes. Dos três pavilhões deste certame, dois foram preenchidos por empresas extractivas e transformadoras e um pavilhão dedicado a máquinas e equipamentos.

Num ambiente de tempos de carência de grandes negócios, a Pedra foi uma oportunidade de novos negócios, alguns concretizados outros possivelmente em equação, mas confirmando esta feira como a maior montra das pedras naturais em Portugal.

Com contornos bem definidos a crise financeira e económica do sector da pedra natural tem uma composição estrutural desajustada ao modelo competitivo adoptado pelos países produtores asiáticos e mesmo europeus. Em Portugal o sector da pedra natural sempre navegou sem estratégia ao sabor dos bons ou maus momentos do sector da construção civil a nível interno e no mercado externo a realidade tem passado pelos interesses deste ou daquele país através de “investidores anjos” como foram os belgas, italianos, árabes e mais recentemente os chineses.

O modelo tem assentado nos recursos geológicos diferenciados, mão-de-obra relativamente barata, baixa produtividade, incapacidade competitiva, fraca competência que está completamente desajustada da realidade, tudo em doses variáveis que agravou o triste e penoso resultado do sector da pedra natural a nível nacional.

A Pedra na Batalha mostrou a urgência de fomentar o empreendedorismo como uma solução imediata que deverá assentar no apoio às iniciativas das pequenas e médias empresas.


Inaugurada pelo Secretário de Estado Adjunto da Indústria e Inovação, Prof. Castro Guerra, a Pedra contou com uma centena de expositores abrangendo todas as áreas de actividade do sector, blocos, chapas, produtos transformados, arte-funerária, máquinas, equipamentos, ferramentas diamantadas e outros acessórios para a indústria, associações empresariais, instituições, imprensa especializada e empresas de serviços.


Paralelamente ao certame comercial realizou-se II Congresso Nacional da Pedra cuja sessão de abertura foi presidida pelo secretário de Estado Adjunto da Indústria e da Inovação e contou com a presença de diversas individualidades.

A sessão foi aberta pelo presidente da C. A. da Exposalão, José Frazão, tendo o secretário de Estado no seu discurso deixado como principal mensagem as reuniões que estão a ter lugar com a Secretaria de Estado do Ambiente sobre as dificuldades que os organismos do ministério do Ambiente tem levantado no âmbito da nova lei de pedreiras sobretudo na aplicação do artigo quinto.

Seguidamente o Prof. Castro Guerra acompanhado pelo presidente da Exposalão, Governador Civil de Leiria, presidente da ANIET, vice-presidente da Assimagra, presidente da ADI, presidente da Ordem dos Arquitectos SRS, presidente da AECP, vice-presidente do LNEG, subdirector Geral da DGEG, Director Regional da DRE – Centro, representantes oficiais e empresários percorreram os três pavilhões da Pedra.


O II Congresso Nacional da Pedra Natural decorreu nos dias 12 e 13 tendo sido debatidos e apresentados temas da maior relevância para o sector da Pedra Natural. Ordenamento do território, legislação sectorial, calçada portuguesa, internacionalização, marcação CE, arquitectura, fiscalização, restauração e manutenção, promoção e marketing foram temas apresentados por reconhecidos conferencistas, que certamente irão contribuir para um maior conhecimento de novos factos que conduzam a novas soluções para uma política sustentável do sector da pedra natural. O II Congresso Nacional da Pedra Natural contou com o apoio das seguintes entidades.


AECP – Associação dos Exploradores da Calçada Portuguesa

ADI – Associação para o Desenvolvimento e Inovação das Indústrias da Pedra Natural, Recursos Geológicos e Tecnologias.

ANIET- Associação Nacional da Indústria Extractiva e Transformadora

ASSIMAGRA – Associação Portuguesa da Indústria de Mármores e Granitos

CEVALOR – Centro Tecn. p/o Aprov. e Valorização das Rochas Orn. e Ind.

DGEG – Direcção Geral de Energia e Geologia

AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

LNEG – Laboratório Nacional Energia e Geologia

PNSAC – Parque Natural da Serra D´Aires e Candeeiros

Revista “Rochas & Equipamentos”

 

Dia 12 de Março – Quinta-feira


– Sessão de Abertura do II Congresso Nacional da Pedra Natural

Presidido por S. Exa. Secretário de Estado Adjunto da Indústria e da Inovação, Professor Doutor António Castro Guerra


- Áreas de Exploração de Rochas Ornamentais no Maciço Calcário Estremenho – Estado Actual do Conhecimento

Dr. Jorge Carvalho – LNEG


– Iniciativa Europeia “Matérias-primas: Oportunidades e Desafios para a Indústria Extractiva”

Dra. Helena Santana e Dr. Luis Martins – LNEG


– Selecção e Desenvolvimento de um Sistema de Colagem para Aplicação de Placas de Semi-rijo em Fachada

Eng.ª Vera Pires - Dep. Engenharia de Materiais – IST


– “Ecoeficiência na Indústria Extractiva”.

Justina Catarino – INETI

Nuno Bonito - CEVALOR


- Apresentação do “Guia Prático para a Marcação CE dos Produtos em Pedra Natural”

Dr. A. Casal Moura


– Entrega aos Congressistas do “Guia Prático para a Marcação CE dos Produtos em Pedra Natural”

 

Dia 13 de Março – Sexta-feira


- Stone.Pt – A Marca da Pedra Portuguesa

Dr. Pedro Amaral - Assimagra


- “Calçada Portuguesa no Mundo – per orbem terrarum et marem vastum”

Dr. Ernesto Matos - Câmara Municipal de Lisboa


– Mercado da Polónia

Dr. Krzysztof Gieranczyw - 1º Conselheiro da Embaixada da Polónia


– AICEP E Os Apoios à Internacionalização

Dr. Pedro Rodrigues – Director AICEP


- Restauração e Protecção de Investimentos de Pisos de Pedra

Eng.º Joseph Vieira - MetalStone Portugal


- Arquitectura e a Pedra Natural

Prof. Arq. Jorge Cruz Pinto – Pres. Dep. Arquitectura da F.A.L.


– Geopolímeros e sua Sustentabilidade

Eng.º Soheyl Sazedj


– Processo de Inspecção

Inspector José Brito - ASAE


- Projectos Integrados – Instrumento de Gestão de Recursos Minerais e Protecção Ambiental

Dra. Ana Amaral e Dr. João Meira - VISA Consultores


- "Exploração e Recuperação de Pedreiras de Massas Minerais para Calçada no PNSAC - A Procura do Equilíbrio."

Eng.º Pedro Mesquita de Sá Borges – PNSAC


- Aplicação da Nova Lei DL 340: Aspectos Problemáticos

Dr. José Carlos Silva Pereira - Direcção Geral de Energia e Geologia


Após a sessão de abertura, o II Congresso abriu com o tema dedicado às áreas de exploração de rochas ornamentais na Serra de Aires e Candeeiros e o seu estado de conhecimento, uma comunicação de Jorge de Carvalho do LNEG que permitiu aos congressistas obterem um grau de informação mais concreto sobre a actividade extractiva nesta região.

Seguiu-se a apresentação de Luís Martins do LNEG sobre a iniciativa europeia sobre recursos geológicos e o seu enquadramento na indústria extractiva. Vera Pires do IST apresentou o desenvolvimento de um sistema de colagem para o uso de placas de semi-rijo em fachada, uma apresentação técnica sobre os efeitos de diversos tipos de colagem utilizando este calcário.


A ecoeficiência na indústria extractiva um projecto e uma ferramenta desenvolvida pelo Cevalor e pelo LNEG foi apresentado por Justina Catarina e Nuno Bonito. O “Guia Prático para a Marcação CE dos Produtos em Pedra Natural”, cujas normas são obrigatórias em todo o espaço da U.E. foi apresentado por Casal Moura, autor desta publicação editada DGEG tendo sido entregue gratuitamente a todos os congressistas, um exemplar no final da sessão do dia 12.


Do vasto abrangente programa que foi levado a efeito, muitos foram os indicadores em que novas abordagens são fundamentais para consciencializar as empresas na criação de uma nova imagem para a pedra natural portuguesa. A revalorização da pedra natural portuguesa, criação de novos canais de comercialização e distribuição, novos usos e aplicações arquitectónicas foram elementos debatidos em várias comunicações entre as quais a de Pedro Amaral da Assimagra/IST, Krzysztof Gieranczyw da Embaixada da Polónia, Pedro Rodrigues da AICEP e por Ernesto Matos da CML sobre a Calçada Portuguesa no mundo.

A experiência americana no restauro e manutenção da pedra natural pela Metalstone foi-nos transmitida por Joseph Vieira, um luso-americano que tem como clientes em Portugal alguns das maiores hotéis e shoppings a que se seguiram as comunicações do presidente do Departamento de Arquitectura da FA-UTL sobre novas abordagens da arquitectura contemporânea a nível estrutural. A utilização de geopolimeros com pedra natural foi o tema do Spheyl Sazedj, que segundo este especialista irá dar uma maior sustentabilidade à sua produção e respectivo consumo.

Seguiram-se conferências cujos debates terão provocado mais pedidos de esclarecimento por parte dos congressistas, como o processo de inspecção por José Brito,inspector da ASAE, assim como a comunicação apresentada por Pedro Sá Borges do PNSAC sobre a exploração e recuperação de pedreiras no Parque Natural.

Ainda sobre projectos integrados foi apresentada uma comunicação por Ana Amaral e João Meira da Visa Consultores que no seu conjunto são um instrumento de gestão dos recursos minerais e de âmbito ambiental.

A aplicação da nova “Lei 340” e os seus aspectos problemáticos por José Silva Pereira da DGEG e que fechou este segundo Congresso criou uma clivagem visível entre as interpretações dos organismos ligados ao ambiente que estavam presentes no Congresso e a interpretação da mesma pela DGEG e os organismos do Ministério da Economia, em especial no âmbito do artigo 5º.


Mais que um Congresso e uma Feira, a Pedra´09 na Batalha foi um alerta para as potencialidades, “virtudes e defeitos” do sector português da pedra natural.

Mais internacionalização, mais visitantes e expositores serão os objectivos da próxima edição com a data prevista para 2011, a Pedra e o III Congresso Nacional da Pedra Natural será na próxima quinta edição, mais um forte contributo para o desenvolvimento deste sector de actividade.